Os impactos do coronavírus nas economias mundial e brasileira

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O surto de coronavírus deixou o mundo em alerta no fim de 2019. Até fevereiro de 2020 foram confirmadas mais de 2 mil mortes apenas na China. No país, este número vem apresentando uma queda, mas, a cada dia, aumentam os casos de diagnóstico da doença no resto do mundo.

Mais de 60 países como Itália, Japão e Coreia do Sul foram afetados e os governos buscam alternativas para tentar frear o avanço da epidemia. O COVID-19 - sigla utilizada para o coronavírus na área da saúde - já gerou impactos em setores econômicos como o turismo, o comércio exterior e os investimentos, como a bolsa de valores.

Há previsões de alterações mais profundas na economia global caso a contenção do vírus demore mais do que o esperado. Em reunião do G20, o Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmou a previsão de desaceleração no crescimento mundial em 0,1 ponto percentual - o suficiente para abalar os ânimos e as relações de comércio.

Governantes, ministros das finanças e chefes dos bancos centrais mencionaram a infecção como um risco real e afirmaram buscar medidas para diminuir seus impactos. O fato é que é preciso estar ciente do que pode acontecer e se prevenir para evitar prejuízos, seja você um empresário, economista, investidor ou apenas interessado no assunto.

Afinal, em um mundo globalizado, estamos falando de consequências financeiras globais que afetam a todos. Acompanhe a leitura e informe-se sobre os principais impactos do coronavírus já em andamento e os possíveis cenários para o futuro.

Qual o impacto do coronavírus na economia mundial?

pessoa mexendo no celular e notebook com gráficos

Queda no turismo e atividades interrompidas

O setor de turismo foi o primeiro a sofrer as consequências, com o cancelamento de diversos eventos internacionais e a queda na procura de viagens aos países com mais registros de casos.

Para evitar a propagação da doença, muitas empresas, indústrias, centros comerciais e até escolas suspenderam suas atividades, aumentaram a concessão de férias coletivas ou diminuíram a carga horária de trabalho. 

Nas regiões que estão em quarentena, os cidadãos têm receio de sair de casa, o que afeta diretamente os índices de consumo de produtos e serviços. Atividades econômicas foram paralisadas em alguns países, devido à falta de commodities.

Queda na previsão de crescimento econômico (chinês e global)

Os especialistas afirmam que ainda é cedo para calcular o tamanho da repercussão na economia, mas é possível estabelecer alguns consensos. A Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estimam um impacto relevante para 2020.

Como já mencionado, a previsão de crescimento global apresentou ligeira queda após a descoberta do vírus, de acordo com o FMI. A China, é claro, foi o país mais afetado, com perspectiva de redução de 0,8 ponto percentual no PIB, no comparativo com a estimativa de novembro de 2019, de acordo com a OCDE.

O país é a segunda maior economia do mundo, com participação de mais de 15% no PIB global e já apresentava um ritmo desacelerado de crescimento nos últimos anos. É por isso que qualquer mudança - positiva ou negativa - atrai todas as atenções.

Redução do lucro na indústria

Como consequência do coronavírus na economia chinesa, toda a indústria de manufatura sofreu queda na produção - em especial os parceiros comerciais do país. Para mensurar mais facilmente, pense que a China é responsável pelas exportações de 10% dos produtos eletroeletrônicos no mundo todo.

Se a epidemia continuar, a produção de smartphones, notebooks, TVs e outros dispositivos poderá ter um declínio no primeiro trimestre de 2020, de acordo com o relatório de uma empresa chinesa. Empresas de renome como Microsoft, Apple e Toyota seriam afetadas.

Os impactos do coronavírus na economia do Brasil

mulher com máscara e partícula de vírus

Você já deve ter entendido que as mudanças na economia da China também impactam o Brasil, certo? Por aqui, as previsões de queda ou estagnação do crescimento já chegaram. Veja, a seguir, as principais consequências previstas por especialistas financeiros.

PIB

A previsão para o Produto Interno Bruto brasileiro em 2020 foi reduzida após a disseminação do vírus. O Banco Central estima que a alta será de 2,17% enquanto alguns consultores financeiros apostam em um valor abaixo dos 2%.

Isso acontece porque nossas relações de comércio com a China envolvem a compra e a venda de commodities em diversos setores, como a agricultura, a pecuária, a mineração e a já citada eletroeletrônica. 

Importações e exportações

O país da Ásia é o principal fornecedor de materiais para a composição de eletrodomésticos e eletrônicos do Brasil. Algumas grandes marcas como a Motorola e a Samsung já anunciaram a falta de componentes em estoque para continuar a produção, o que, por enquanto, deixa parte do trabalho suspenso.

Com as exportações, a situação é semelhante: os principais produtos que comercializamos para a China, como a soja e o petróleo, podem ter seus preços alterados a longo prazo. Caso a instabilidade continue, é possível que sobrem produtos e o preço tenha de ser reduzido.

Já há relatos de restaurantes chineses que fecharam as portas por causa de prejuízos causados pela falta de consumo. A carne bovina comprada do Brasil faz parte dos produtos que serão afetados nesse cenário.

Sobre o petróleo, a Petrobras anunciou que, possivelmente, terá alterações nos resultados do primeiro trimestre do ano. Por hora, a comercialização continua estável, mas a desvalorização desse insumo começa a ser percebida após os primeiros casos confirmados de coronavírus no país.

Resumindo: pode ser ruim para a exportação, mas os preços dos combustíveis podem ficar mais acessíveis para os brasileiros.

Alta do dólar

Com a instabilidade da economia global, as moedas de mercados com menor risco, como o dólar, costumam ser valorizadas.

O surto de coronavírus pode afetar o mercado financeiro?

Toda essa movimentação econômica com crescimentos abaixo do esperado afeta as ações de bolsas do mundo todo. Os setores que já sofreram quedas incluem o turismo, os eletrônicos e a tecnologia.

Os brasileiros que possuem algum tipo de investimento precisam ficar atentos às mudanças no cenário internacional, para evitarem prejuízos - principalmente se a aplicação for de alto risco. São esperadas algumas ações governamentais para impulsionar o setor, como a redução das taxas de juros. 

O que sabemos é que o momento não é ideal para a compra de dólares e o investimento em fundos de alto risco. Quem tem aplicações em empresas estatais precisa redobrar os cuidados. A solução é se manter informado, esperar que a epidemia seja controlada e ficar atento às novidades do mercado.

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